Danças Birivas

        Os birivas eram os tropeiros habitantes dos campos de cima da serra, os quais geralmente andavam em mulas e tinham um sotaque especial, diferente dos tropeiros fronteiros ou das regiões baixas do estado, no decorrer das suas viagens, durante as longas noites a beira de um fogo, procuravam se descontrair esquecendo a dura lida de viagem e dos sofrimentos que passavam. Nessa descontração ao som de violas ou meia-violas surgiram certas cantigas e danças que eram praticadas somente por homens, eles então mostravam toda a habilidade e criatividade em um prazeroso divertimento.

        Dentre essas danças, foram encontradas e pesquisadas, por João Carlos Paixão Côrtes, apenas quatro, as quais hoje são reconstituídas e praticadas por grandes grupos de dança em vários festivais de dança pelo país, sendo elas: a chula, a dança de facões, o chico do porrete e o fandango sapateado.

        Chico do porrete, por exemplo, por ser dança dos tropeiros, só é dançada por peões. Com movimentos de passar bastão por entre as pernas, por uma mão e outra, e sapateios, a dança demonstra e representa a habilidade e o vigor físico dos dançarinos.

        Na dança dos facões cada um dos peões dança com dois facões, cadenciam a música com precisas batidas esgrimadas, exigindo muita habilidade, destreza e precisão, a fim de evitar cortes ou eventuais acidentes entre os participantes.

        No fandango sapateado, herança do colonizador lusitano, cada cavalheiro, depois de bailar em círculo e em conjunto, procura exibir sua capacidade de teatralidade, com exuberantes “figuras-solo” sapateadas, ao som do rosetear de nazarenas, das quais muitas delas lembravam e imitavam lidas e motivos de campo e de sua origem.

        A chula é uma dança somente masculina na qual os dançarinos se confrontavam, cada qual desejando mostrar suas habilidades coreográficas através de movimentos e sapateios, de um e de outro lado de uma haste de madeira, posta devidamente no chão.

        As danças biriva começaram ser pesquisadas a partir de estudos iniciados na década de 50. Porém, a primeira apresentação artística no rio grande do sul, só ocorreu em dezembro de 1998, na cidade de Antônio Prado. Estas danças são hoje preservadas, graças ao perseverante trabalho de pesquisa do folclorista Paixão Côrtes.

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